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10.1.10

cabalgata // cuzco, peru, jan2007
ardentes em paciência, despimos as armas e nos abraçaram as armaduras. a aurora rompeu, rimbaud, entramos nas esplêndidas cidades. agora, o que?

22.10.07



cheese// machupicchu, jan2007

minha memória bamba
te grafia numa máquina de lembran
ça est bon porque eu te olho e pimba!
você me vem como uma bomba.
num instante você sai da sua tumba

18.10.07



la routine // Cusco, Peru jan2006
o caminho que entorta o mapa são desvios são desvios
a deslinha que te faz gente te faz crente de não saber
as vias públicas são cheias de cruzamentos

andar é uma operação de risco

22.9.07


Rema // Lago Titicaca, Puno, jan2007
tem um motor que é alma.

28.8.07


Cóndor // machupicchu, jan06
- helloooooo, grita o filhote, de longe.
ele sobrevoa a cidade perdida
e me avista me mira
e se aproxima, sedutor
abre sua imensa boca aos berros
eu chego perto, feito mãe
e me engole, de cabeça pra baixo
me chacoalha até que as moedas caiam
até que o dinheiro apareça
eu escorrego pela goela
e me descubro carniça.

5.5.07


Xadrez // Cusco - Peru, jan2007

Quando a natureza se desafia e decide visitar Cusco, seu corpo de líquidos desaba e tocam primeiro os labirintos das ladeiras e rolam decifrando os vãos dos paralelepípedos, calculando as saídas daquele enigma humano.

Quando desembocam vitoriosos no retângulo da Plaza de Armas, o céu já está aliviado. No chão da praça, entre as botas dos viajantes com mapas, os sapatos engraxados dos reis que já jogaram milhares de partidas desse xadrez inca e têm impresso nas caras os vértices dos caminhos percorridos, nem sempre calculados, nem sempre lógicos, nem sempre triunfantes.

10.3.07


Corra, Chola, Corra! // Puno a Cusco, Peru, jan/07

Segunda, quarta e sábado passa trocado no quintal de casa. Corra, Chola, Corra! Corre mas não pega o trem. Motor à coca não supera à cocaína. Um dia, a High Tech chega pra passar trem bala no quintal, às quartas. Ficaria ecstasyada! Corra, Chola, corra! Quanto mais corre, mais longe do quintal, e pára no meio do caminho ofegante, na névoa branca do trem. Sem opção de final, a Chola corre, Chola! Para onde?

5.3.07


Machuca 4-12 // machuca, deserto do atacama, Chile, dez2007

“Nós? A gente é só seis, seis cordeiro abandonado, nenhum de nós é o pascal. Paramos por aqui, no meio do caminho dos turistas, quase pedindo licença e perdão, ah civilização: que nem peixinho no aquário, a gente vive, mas sem a água, a gente seca, copia essa terra, que nasceu morta. Essa bandeira foi lavada no nosso sangue, de cordeiro, por isso é vistosa assim. Mas ninguém liga pra ela não, é só pra não esquecer dos que se esqueceram eles de lá, das bandas dessa estrela. Porque essa aí não guia mais ninguém de aqui, é só um selo desse envelope que lacraram pra gente, que é o Chile, que enviaram pra quem a gente nem não desconhece, ah civilização. Se nosso destino tá selado? Sei não, tá não. Isso é coisa pra Deus, ali encima do morro, acima da gente tudo. Convinha mais ele baixar pro nosso meio e revelar esse tal mistério. Mas acho que ainda falta o pascal, o sétimo, o selo, o sétimo selo – por isso a gente vive de esperar, ah civilização, ah revelação.” J.

Vinícius Bazenga

2.3.07


Pensil
// puno (Ilhas Flutuantes), peru, jan2007

em Puno, a ilha flutua
que te toca?
me dá um troco! trocado!
troco por um olho guardado
te guarda, te tira, te mija, te toca, entoca
em Puno, flutua.
que mais te choca?
a ilha amortece teus impactos
não te encosta, te olha, te leva.
escondido.
em troca.
flutua.