13.12.11

flutuante // cumbuco, ceará, brasil, out2011
os pés suspensos no ar estão atracados em uma latitude. o pensamento, por outro lado, aponta o horizonte. 


onde está o capitão?

12.10.11


prego // roma, italia, jul2011
gastamos as solas atrás de massa com mariscos. as solas da minha avó eram mais gastas, choravam os quilômetros a pedido da neta, eu mesma. comeu outra coisa, ela mesma, ao fim. mas o lugar primeiro era fechado para o almoço, daí que atravessamos a rua, os desistentes. achamos a família atrás do balcao gritando a sugestao do nosso cardápio. tivemos que brigar, brigar de um jeito amoroso pra dizer o que queríamos, se nao era o que achassem melhor pra gente (os caras de desistentes), exaustos no nosso vigor. conquistamos os mariscos naquela luta, a família perdeu sorridente atrás do balcao - entraram a preparar os nossos pratos. da vó foi bolonhesa. um dedo para o táxi, na volta.

30.9.11


pesca // lisboa, portugal, jul2011
estávamos ao lado da Torre de Belém, de onde saíram as caravelas, primeiro mar à vista dos descobridores. o que se coloca de isca neste ponto de fuga? o que se pode puxar? 

a espera do mar adia a ânsia pelo seu conteúdo, pensei.

10.9.11


os meninos // porto, portugal, jul2011
exercitam a filosofia básica do rio.


4.9.11



rayuela // paris, frança, jul2011
horacio trança as pernas nas últimas jogadas do jogo da amarelinha;
confunde a pedra lançada com aquelas que atirou em maga e se espalharam pelo chao riscado.. agora não sabe pra que casa precisa saltar.. desequilibrou na medida dos números pares, o saci; tentou chegar ao céu tombando para a frente.

as mãos alcançam o seu destino, mas é com os pés que se chega ao fim. 



31.8.11


aguarda// roma, itália, jul2011
tua bravura seca.

21.8.11


cartilha // lourdes, frança, jul2011
quantos séculos para aprender o que nao se ensina:
nao ser humano.
rezemos aos santos, nas impossibilidades.

14.8.11


mapa // paris, jul2011
o corpo sabe e anuncia. a vó viu a foto e nao reconheceu o anúncio, achou o corpo mais velho que o espírito, pediu desculpas, a vó, pelo conhecimento adquirido. ô, vó! deixa eu mirar teus caminhos.

11.8.11

chez toi // paris, jul2011
e a famosa veio me comprimentar (assim, com "o" errado). mediu meu tamanho pela sombra no Sena, superestimando minha presença com aquele sol inclinado do começo da noite (é verão). e fui eu que não imaginei seu tamanho. a bondosa é gentil com visitantes, faz a pompa crescer só de olhar pra ela, só de saber que a viu. daí que eu entrei debaixo da sua saia, com ar de intimidade:

das suas frestas vazou o céu em mim.

24.6.11


abierto// bolívia, jan2007
venga, se senta, te levo no bolso
da minha calça
quantas camadas até que você
se saia
se senta
meu diafragma é fotocópia
atira a discórdia 
se o que levo é a tua alma
ou uma camada
da tua saia
venga,
se senta aqui comigo.

8.6.11


povo// isla del sol - lago titicaca, bolívia, jan2007
pesca, planta e pasta. 
passeio, percebo e publico. 
o porquê.

25.5.11


contratempo // desfile da escola Igrejinha, campo grande-ms, brasil, fev 2004
fevereiro se joga nos braços do samba
março é de vez em quando
e eu que me descubro em setembro
vivo do choro de não ser bamba

19.5.11

legenda // aldeia água branca, ms, abr2008
não é óbvia a demarcação?

15.4.11


II // bonito, ms, brasil, out2010
já disse que tem um mundo lá embaixo? 
tem o céu. 

28.3.11

tem um mundo lá embaixo // salta, argentina, jan2009
se te importa o que vê, se te importa
não mergulha porque não sabe o que é
nunca vai saber.
tem um mundo lá embaixo
tem você.

31.1.11


acompanha com molho // campo grande ms brasil, abr2007
eu te cru, ainda vivo. sua textura.

8.1.11

fronteiriço // corumbá, ms, brasil, out2006
raiz é feito intruso, entranha e não vê chão
não sabe o que é vizinho
penetra sem carimbo, sem ser visto de entrada
raiz é feito o que se sabe
uma penetração

28.12.10

romaria // assunción, paraguay, dez2005
ave maria, pai nosso e santo anjo, minha mãe me ensinou. deve ser que sair de casa muda o espírito, tem que avisar os santos. quem sabe a gente chega bem. quem sabe a gente volta outro. mais abençoado.

22.12.10


autorretrato // ilha do mel, brasil, fev2003
ego é contraluz.

12.12.10


"qual estátuas vestidas de suor" // campo grande ms brasil, 2004
em qual momento decide ficar?
a cidade não vive em monumento.
tem que usar. tem que suar.

*foto da série Campo Grande tem Ginga. Bailarina: Nara Hortência

6.12.10

mira //deserto do atacama, chile, dez2006
no deserto, o chão finge que é chama
e lhama finge que é chão.
chama a lhama e ela não vem,
finge que é deserto.
uma miragem.

25.11.10

põe na conta//mendoza, argentina, jan2009
te quebro as regras e interrompo seu trânsito, seu tráfego
paro e dou um trago em lugar fechado
não pago a multa nem forçado
sem culpa
fujo sentado, no meu carro
o turbinado

27.9.10

renda // amaicha del valle, argentina, jan2009
qual cidade viva
sem você?
as tuas sombras.

21.9.10

al final // montevideo, uruguay, jan2009
eu acenava e só
e sempre, adeus
era o meu jeito esse
o de não ir embora

16.7.10

ticket // rosario, argentina, jan2009
cão que ladra não morde
cão que arte não morre

21.6.10


obra // campo grande, ms, brasil, out2006
se eu ando pela cidade
e o meu afeto te traz comigo,
então o que meu olho enxerga
é mais do que concreto e porta,
parede em suspensão:
é você tomando forma,
somos nós, em construção.

*foto da série "campo grande tem ginga". bailarina: júlia aissa.

25.2.10

domingo // rosario, argentina, jan2009
o dia era esse cara bundão que não levanta do sofá
e o resto resolveu aproveitar a folga

abajo // rosario, argentina, jan2009
e de que lado da briga você está?

10.1.10

cabalgata // cuzco, peru, jan2007
ardentes em paciência, despimos as armas e nos abraçaram as armaduras. a aurora rompeu, rimbaud, entramos nas esplêndidas cidades. agora, o que?

31.12.09

jigsaw puzzle// buenos aires, jan2009
não éramos dois? não éramos um? não éramos sorte e luz e boom?
não éramos buenos aires e valpo, não éramos bem de perto, zoom?
não éramos sortudos, boludo, não éramos soldados você e eu?
não éramos um prato quente, não tínhamos um bom apetite?
não éramos ingênuos e crudos, cézamo, abra-te e me diz o qué pasó.

12.9.09

paira // florianópolis, brasil, jul2007
o mundo é cheio
o fundo é meio
imundo o dia quando vai embora,
um pouco encardido

28.8.09

esvazia // rosario, argentina, jan2009
tantos cavalos pra montar e fugir
e as armaduras pra lutar as nossas guerras
as nossas armas
baby, o mundo é um carrossel

9.8.09


eu fugiria// cafayate, argentina, jan2009
direita a
esquerda b
direita b
esquerda ah,
s'eu tivesse'quatro'patas'e'um'cara'd'outr'espécie
na'm'nha'frente'pra'dizer'que'a'barra'ta'limpa...

4.8.09

madrasta // montevideo, uruguai, jan2009
de corpo fechado, montevideo me abraça
não há fresta que me deixe entrar
eu não sou ar, sou água
eu não sou ar
só e lágrima
não vou te derrubar com o meu soluço
me deixa chorar aí dentro

3.8.09

alice // taffi del valle, argentina jan2009
estava de lado e ouviu, vai!
correu ao encontro da porta e saltou
sem medo de prejudicar a pele e ossos
caiu na escadinha
olhou para o motorista que dizia que não era tarde
até que arde
sentou pra seguir seu rumo, uma contradição.

18.3.09

prorrogação // cafayate, argentina, jan2009
põe no ângulo que é gol
a memória empata com a ram
assim a partida dura
mais que o duro ir embora
desses lugares dentros
drible no tempo

7.2.09

dama // feria de san telmo, buenos aires, argentina, jan2009
ela se arruma toda na espera do tempo chegar
ela não espera o tempo chegar, se arruma toda
ela chega toda à espera do tempo que arruma
ela o tempo o todo a espera, o nunca.

3.2.09

verde-blue // salta, argentina, jan2009
tem dia que sorri pra gente e dá passagem.

2.2.09


mi longa, nossa demora // mendoza, argentina, jan2009
cruzaram os membros, aquele abraço injustificável
os inferiores trançando esses caminhos todos
tortos
e tudo que é perna parou pra ver a dança
e tudo que é sangue corria agora mais nas pernas
imóveis
num pulso que era tango
num pra sempre que se disse
milonga.

31.1.09

mira // salta, argentina, jan2009
te miro de longe e acerto, feito um cóndor.